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quarta-feira, 4 de maio de 2011

A carta:

A carta:

Madri, 27 de Abril de 1998

Querida Amiga: Odete
 São cinco horas da tarde e o dia parece noite, o frio regela meus pés que tento aquecer com meias grossas, sem nenhum efeito, as dores são constantes, as mãos tremulas. A doença avançou a passos largos e falta-me energia.
 A minha cadela “vermute” deitada no tapete olha-me como a se despedir, de vez em quando levanta-se chega bem pertinho abana sua calda e deita-se novamente, deve estar conferindo se ainda estou viva...
Já estou bem fraca e custa-me escrever-lhe esta carta que tento concluir há horas é penoso e difícil. A enfermeira contratada quis ajudar-me, mas isso é tão pessoal, tão meu, tão nosso...
Amiga para encurtar este sofrimento vou ao ponto : Quero apenas despedir-me de você, pois sei que não nos veremos mais, e pedir-lhe para que se lembre de mim quando ainda era uma jovem alegre e saudável, das nossas tardes dançantes quando apostávamos quem dançaria com mais rapazes, lembre de nossas peraltices no ginásio,  das confidências que trocamos, de nossas fugidas da aula para irmos ao cinema, dos nossos primeiros namorados, nosso primeiro amor que tantas lagrimas nos fez derramar, lembre-se do dia que você casou e fui sua dama, e depois eu casei e você com aquela barriga de oito meses foi a minha “daminha, como você jocosamente dizia.
Ah, querida amiga que pena que tudo acabou assim tão longe uma da outra fisicamente, mas sinto sua presença a meu lado, seu sorriso amigo, sua voz doce
Creio que um dia, bem distante para você,  tornaremos a nos encontrar e retomar nossa bonita amizade.
Sinto muita saudade de você, mas, tudo que vivemos passa agora por minha mente
como um bálsamo para me fazer esquecer por momentos que sejam esta dor infernal.
Amiga fique com Deus e continue sendo feliz por você e por mim.
Muito carinho de sua eternamente amiga
Juliana

Juliana Villa Dias
l938 a 1998

Mario Quintana


Não Olhe para os Lados

Seja um poema, uma tela ou o que for, não procure ser diferente.
O segredo único está em ser indiferente.

Mário Quintana 

LEGÍTIMA APROPRIAÇÃO
Copio e assino essa frase encontrada no velho Schopenhauer: "A soma de barulho que uma pessoa pode suportar está na razão inversa de sua capacidade mental".

Mário Quintana

 

Eleanor horse (Kinuko - pintora e desenhista)